“Médico de família é aquele que vai na casa das pessoas?”
“Qual médico eu devo procurar quando tenho dor de barriga que não passa?”
“Com quem eu posso consultar para avaliar o meu cansaço? Meu filho não quer mais ir no pediatra e o clínico não atende adolescente… O que fazer?”
“Acho que estou com infecção urinária…”
“Médico de família atende no “postinho”, né?”
” Eu uso muitos remédios e consulto com vários médicos e cada um diz uma coisa”
Estes e muitos outros questionamentos e afirmações são comuns.
O Médico de Família atua na prevenção, diagnóstico e tratamento das doenças mais comuns da população. Para isso, unimos conhecimento de diversas áreas da Medicina.
Temas da Pediatria, Ginecologia, Obstetrícia, Cardiologia, Pneumologia, Gastroenterologia, Endocrinologia, Neurologia, Reumatologia, Nefrologia, Infectologia, Dermatologia, Geriatria, Paliativismo, Psiquiatria e outras especialidades são objetos de estudo do médico de família.
Realizamos consultas de rotina (os famosos “check-ups”!), atuamos na prevenção e diagnóstico precoce de doenças crônicas, além do tratamento de doenças agudas.

Existe muita confusão sobre a especialidade e, infelizmente, ela ainda é bastante desconhecida apesar de existir formalmente desde a década de 1960. Há muita confusão com os “clínicos gerais” – que são os médicos especialistas em Clínica Geral ou Medicina Interna e que também podem ser chamados de “internistas” – profissionais treinados na residência médica para atuar em hospitais e consultórios atendendo adultos. Na prática médicos sem qualquer especialização ou residência médica podem também ser apontados como “clínicos gerais”, o que gera ainda mais dúvidas.
O médico de família, por sua vez, faz seu treinamento com foco em atendimentos ambulatoriais, porém sem restringir idade, sexo, gênero, motivo do atendimento ou qualquer outro determinante. O Médico de Família é especialista em ver o paciente como um ser complexo;. Qual a sua faixa etária? Qual a sua queixa? Quais são suas dúvidas e suas ansiedades? Quem lhe dá apoio? Como você vivencia sua doença? Tudo isso é essencial para atendermos o nosso paciente por completo. Nosso papel é ir além além da queixa ou doença para ajudar o paciente em todas as suas necessidades.
Uma função importante que os médicos de família exercem é o que chamamos de coordenação do cuidado. Pacientes que possuem mais um problema de saúde e usam muitos remédios comumente são atendidos por vários especialistas focais diferentes e muitas vezes acabam usando tratamentos por tempo maior que o indicado, usam medicações de uma mesma família sem necessidade, repetem os mesmos exames em um período curto de tempo e ficam atrapalhados em meio a tantas orientações e consultas com diferentes médicos.
O médico de família organiza o acompanhamento de saúde e mantém um olhar amplo sobre o paciente e seus tratamentos. Ter um médico de família não interfere na necessidade de acompanhamento com outras especialidades, entretanto os encaminhamentos são feitos caso a caso.
Nos debruçamos sobre as doenças mais comuns das diferentes áreas médicas e encaminhamos os nossos pacientes aos colegas de outras especialidades sempre que houver indicação por maior gravidade ou se a complexidade do caso estiver além da nossa área de atuação e treinamento.
Um Médico de Família pode identificar e acompanhar cerca de 85% das queixas dos pacientes, sem que o paciente precise consultar com mais de um médico especialista.
Médicos de família tem uma formação ampla e por isso podem atuar em unidades básicas de saúde (os postos de saúde!), em atendimentos domiciliares, em hospitais e em cargos de gestão, seja no Sistema Único de Saúde ou no setor privado.
E aí? Você já tem o seu Médico de Família?
Referências:
1. Chisholm, R.N. (1978). The History of Family Practice. In: Taylor, R.B. (eds) Family Medicine. Springer, New York, NY. https://doi.org/10.1007/978-1-4757-3999-2_2
2. Starfield B. Primary Care and Health: A Cross-National Comparison. JAMA. 1991;266(16):2268–2271. doi:10.1001/jama.1991.03470160100040
3. Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade. 2024. Disponível em: https://www.sbmfc.org.br/historia/
4. Starfield B. Primary care Is primary care essential? Lancet [Internet]. 1994 [cited 2017 May 25];344(22):1129-1133. Available from: http://ac.els-cdn.com/S0140673694906343/1-s2.0-S0140673 694906343-main.pdf?_tid=c3fafab6-4192-11e7-8ded-00000aacb35f&acdnat=1495748606_cb46e76b91 b2326a5c0201e92dd0f0a4