
Hipertensão arterial. A famosa pressão alta.
Estima-se que mais de 1 bilhão de adultos entre 30-79 anos no mundo tenham hipertensão no mundo e que 46% desses sequer sabem que estão com a pressão alta. A pressão alta pode ser silenciosa: pode não causar nenhum sintoma por um longo período. Infelizmente, alguns pacientes somente descobrirão a doença ao sofrer um infarto ou um acidente vascular cerebral (AVC).
Quando devo medir a pressão?
Recomenda-se que a partir dos 18 anos adultos façam medidas de pressão uma vez por ano para identificar casos silenciosos.
Apesar dessa recomendação, deve-se aferir a pressão sempre que houver alguma queixa de mal-estar, dores ou qualquer situação fora da normalidade.
Como surge a pressão alta?
A pressão alta pode ser consequência de alguma doença ou distúrbio – que chamamos de hipertensão secundária – ou ser classificada como hipertensão primária ou essencial.
O desenvolvimento da pressão alta é atribuída à dificuldade de absorver e eliminar o sal que absorvemos. Esse balanço é feito por meio de mecanismos bastante complexos e que ocorrem em diferentes órgãos. Obesidade, aumento de peso, tabagismo, história familiar e consumo de álcool são fatores de risco comuns para pressão alta, mas existem vários outros.
Quais as consequências da pressão alta?
As principais consequências da pressão alta incluem: danos aos vasos sanguíneos que podem levar não apenas a infarto e AVC, mas também podem causar: doença crônica dos rins, demência, insuficiência cardíaca, doenças das artérias, entre outras.
Como é medida a pressão?
A medida de pressão é composta por dois valores, um maior e outro menor.
Entenda:
- O sangue circula em um sistema fechado composto por coração, artérias que saem do coração e se transformam em veias que levam o sangue novamente para o coração;
- O coração é uma bomba que impulsiona o sangue com força, ou seja: pressão
- O valor mais alto é a pressão sistólica: a pressão mais alta que o sangue atinge quando o coração está contraído e bombeando o sangue;
- O valor mais baixo é a pressão diastólica: a menor pressão que o sangue atinge no momento em que o coração está relaxado e se preparando para o próximo batimento.
Mas doutora, eu tenho pressão alta?
Os limites considerados normais da pressão são estabelecidos por meio de estudos e observação de grupos grandes de pacientes estudados.
A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) adota os seguintes valores para diagnóstico de pressão alta:
LOCAL DA MEDIDA: | PRESSÃO SISTÓLICA | PRESSÃO DIASTÓLICA | |
| EM CONSULTÓRIO | igual ou maior que 140 mmHg | e/ou | igual ou maior que 90 mmHg |
| EM CASA | igual ou maior que 130 mmHg | e/ou | igual ou maior que 80 mmHg |
Para dizermos que um paciente é hipertenso precisamos analisar a pressão no consultório e/ou em domicílio com medidas adequadas e frequentes.
Em algumas situações pode-se realizar também o monitoramento de 24 horas – o famoso MAPA. Essas informações são apenas o ponto de partida do acompanhamento da hipertensão. Para definirmos que o paciente é hipertenso é necessário fazer mais de uma medida de pressão.
Na avaliação não podemos esquecer que um grupo de paciente pode ter o famoso “jaleco branco” em que a situação de atendimento médico causa apreensão e por consequência aumento da pressão arterial dentro do consultório.
O oposto também pode acontecer.
Para diminuir as chancer destas alterações, são necessárias múltiplas medidas.
Como é realizado o tratamento?
Em todos os casos o tratamento deve incluir dieeta e atividade física regular. Para uma parcela dos pacientes será necessário tratamento medicamentoso no momento do diagnóstico. Felizmente no Brasil o tratamento é de amplo e fácil acesso por meio do Programa Farmácia Popular e também nos postos de saúde.
Já mediu a sua pressão e ficou na dúvida se estava alta? Precisa cuidar melhor da sua pressão?
É com uma avaliação adequada no acompanhamento de rotina que o diagnóstico pode ser feito e o tratamento da pressão alta ser iniciado.
Referências: 1. WHO – Hypertension; 2024. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/hypertension 2. United States Preventive Task Force; 2024. Disponível em: https://www.uspreventiveservicestaskforce.org/uspstf/ 3. Iqbal AM, Jamal SF. Essential Hypertension. [Updated 2023 Jul 20]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2024 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK539859/ 4. Feitosa ADM, Barroso WKS, Mion Junior D, Nobre F, Mota-Gomes MA, Jardim PCB, et al. Diretrizes Brasileiras de Medidas da Pressão Arterial Dentro e Fora do Consultório – 2023. Arq Bras Cardiol. 2024;121(4):e20240113.